quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Saindo do Ninho


Observo o quanto os pequenos detalhes do dia a dia nos ensinam sobre coisas importantes, e na grande maioria das vezes, não conseguimos nos ater a estes detalhes...
                Bom, ontem um dos filhotes de calopsyta saiu do ninho, ao chegar a casa constatei a coragem da pequena ave, fora do ninho tentava andar pela gaiola, cheio de insegurança, mas tentando. Fiquei emocionada, liguei para as crianças para contar (isso merece outro post) e o restinho do dia fiquei envolvida com o pequeno passarinho.
                Jade e Joca (os pais) também permaneceram fora do ninho, ficaram distantes do pequeno, mas de alguma forma presente. Na minha cabeça ficava um mix de felicidade e receio: - Será que ele já consegue comer sozinho? Será que os pais não vão lhe dar alimento? – Ele não vai conseguir voltar ao ninho, acho que vou colocá-lo de volta. Quando de repente me veio à lição. Esta etapa faz parte do desenvolvimento dele e não posso interromper seus aprendizados por meus medos (espero lembrar disto quando meus filhos começarem a sair do ninho)
                A ausência das crianças aqui em casa nestes 26 dias me deu tempo pra pensar, refletir e programar uma nova forma de Ser Mãe... Ontem me peguei pensando que, mesmo tão jovens posso e devo deixá-los sair do ninho, colocar a carinha no mundo aos poucos e descobrir quem são de verdade, descobrir suas potencialidades. Se não permito que corram riscos, não permito que descubram suas competências; se lhes oferto o que são possibilidades pra mim, não deixo que eles descubram as diversas possibilidades que a vida nos dá. Ficar insegura, com receio, tenho todo o direito de temer, mas não tenho o direito de deformar o desenvolvimento de meus filhos. Posso sim olhar de longe, ficar atenta aos riscos, mas preciso deixar-los correr alguns riscos, descobrir suas competências (doe só de pensar).
                Descobri ontem que é crime o abando intelectual, enquanto o professor falava sobre o assunto (caracterizando em seu exemplo o abandono intelectual como não matricular o filho na escola), refleti sobre quantos são os tipos de abandono intelectual (não configurados como crime): é abandono intelectual quando não incentivo diariamente a leitura em casa, é abandono intelectual quando não chamo meus filhos para conversarmos sobre as coisas que assistem na televisão (de desenho a noticiários), é abandono intelectual quando não os enpodero de saber e ignoro o conhecimento que me trazem (mãe acha que sempre sabe tudo, e não sabe). É abandono intelectual não deixá-los correr riscos (dentro dos limites é claro) como: aprender andar de patins e correr o risco de cair, passar férias na casa do pai e correr o risco de se frustrar, tentar e não conseguir.
Por muito tempo, desde que nasceram, achava que era um erro eu trabalhar tanto e ter pouco tempo para eles, descobri (neste um ano que estive desempregada) que estava fazendo a coisa certa quando trabalhava o dia todo. Meu tempo com eles era pouco, mas de extrema qualidade e eles, eles arriscavam mais, esperavam menos... descobriam-se, colocavam a cabecinha fora do ninho. Neste ano em que não trabalhei, a conclusão que tenho é: acreditei menos neles, permiti menos suas descobertas.
Percebo o quanto é necessário mudar... o quanto é preciso formá-los enquanto pessoas, enquanto cidadãos, enquanto Águias (http://dedinhosdeamor.blogspot.com/2012/01/onipotenia-materna-doce-ilusao.html)
Bjo meus amores.... mamãe está morrendo de saudades..

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