segunda-feira, 18 de novembro de 2019
Adolesceram
Ser mãe sempre foi um desejo para mim.
Quando Jovem me sentia muito solitária, apesar de três irmãos e vivendo em uma casa sempre rodeada de pessoas, a solitude ( de estar só) não se desvinculava de mim, então, la naquela juventude, pensava que ter um filho seria a solução para dar fim a este ser sozinha... Coisa maluca né! Mas na fragilidade daquele universo, a maternidade tinha para mim a projeção de não ser só.(pensamento absurdo, mas era o que acontecia em mim)
Aos 21 veio Lucas, que modificou todas as minhas certezas (ja falei um pouco sobre disso aqui). Lucas me trouxe o olhar para coisas não conseguia enxergar ao mesmo tempo que me mostrou que não deveria priorizar coisas que, até aquele momento eram importantes.
Logo depois de 3 anos e meio chegou a Sarah, achava que já estava pronta, já tinha expertise em maternidade (ingenuaaaa), mas os dois com personalidades tao distintas quebraram outras tantas certezas que eu tinha...
Vi eles se desenvolverem sendo grandes companheiros, cúmplices nas peraltices e nas brincadeiras
Passamos por um processo de separação delicada, eu do meu até então marido, eles do Pai
Nos mudamos
Recomeçamos nossa nova vida, passamos por inúmeras aventuras e desventuras...
As frustrações e conquistas foram e são incontáveis
E, então a adolescência chegou!'
Já chegou ha algum tempo mas meu mundo estava tão tumultuado que não conseguia nem pensar sobre tudo isso, quanto mais escrever, sentindo, re-sentindo", elaborando todos nossos processos. Acredite psicólogos choram, se angustiam e precisam também de tempo para elaborarem todas as vivicitudes e metamorfoses deste evoluir...Porque é um saco esse peso de "nao poder sofrer" em função da profissão. Se eu, algum dia tiver coragem, quero escrever um livro mães psicologas também choram ou mães psicologas são só mães... sei la
Encarar a adolescência deles sozinha, com muito apoio da minha, mas sozinha quando se pensa sobre a "tradicional família brasileira" (serio eu pensava assim com um peso enorme, ate bem pouco tempo) me aterrorizava.
Por algum tempo eu insistia na ideia de que era preciso a tradição familiar, até que Lucas entre 16 e 17 (o que não foi há muito tempo heim) anos me para durante o jantar e diz: Mamãe, você precisa entender que nós somos felizes quando você esta bem, você precisa entender mamãe que nossa família é uma família mais feliz do que tantas das que "são normais". "Somos uma família de dois filhos e uma mãe, e qual é o problema?"
Demorei umas três semanas para entender tudo aquilo... e reconhecer que me cobrava algo incobrável
*Primeiro sobre minha expectativa sobre uma tipica família em relação ao que me cobrava frente a família linda que eu tenho;
*Sobre meu filho estar coberto de razão sobre nossa família e felicidade
*Sobre meu desejo de dividir as angustias e os sucessos dos meus filhos com alguém que também os veja crescer ( tinha o desejo de dividir com alguem a historia toda dos meus filhos, de quando Lucas se formasse na faculdade pudesse virar para meu companheiro e dizer.. lembra como ele ficou maluco com o ENEM?
*Sobre o quanto, para mim, até neste momento, é assustador e solitário vê-los crescer e percebendo que o voo esta prestes a acontecer.
Nos últimos 3 anos essa família viveu mais dores que amores, e tudo isso junto com o adolescer de Lucas e Sarah mexeu com nossas emoções e claro das nossas relações. Será nossa quadratura em Urano? Pq estamos todos nela.
Ao ser traída em 2017, pelo cara em qual depositei todos meus projetos e felicidade, precisei de aprender aos 36 anos que não se deve depositar sonhos, amores e muito menos felicidade em ninguém, e por mais obvio que isso seja, eu acabei fazendo o que parece ser mais fácil.
Que meus filhos, por mais jovens que sejam, são meus melhores amigos e que precisaram segurar uma onda diante de tanta tristeza em que fui soterrada, com imensa dificuldade de reagir. E Lucas mais e Sarah menos, bateram forte (emocionalmente) por dois anos para que eu desenterrasse a mim mesma em meio a tanta lama de dor;
Lucas aprendeu que não precisava ficar num lugar de tanta maturidade e permitiu ser adolescente, atitude que admiro diariamente, mas confesso, me deixa beirando a loucura...
Sarah se transborda em afeto, mas se tornou perspicaz em observação e sabe ser certeira nas pontuações sobre relações
Neste percurso nos acolhemos,
Nos enfrentamos,
Nos posicionamos,
Nos respeitamos,
nos transformamos!
Nos transformamos, as vezes nos estranhamos, outras só nos amamos...
Com o crescimento deles perdemos coisas que me fazem muita falta, como dia de ver filme juntos ou o dia de assarmos cupcakes
Sinto falta das encenações de filme, mas me divirto com as piadas internas dos dois de memes que não faço ideia do que são;
Sinto falta da Sarah me pedindo cantinho do sofá, mas adoro quando ela me traz um desenho novo e me explica as escritas em japonês;
Não tenho mais as musicas de filme infantis alegrando a casa, mas tenho me atualizado com as musicas e músicos que eles descobrem e me orgulho, porque são muito boas;
Nao precisam mais de ajuda no banho, ou na escolha de roupas, mas ainda me pedem opniao quando estao inseguros com o look...
Continuemos nesse furacão de emoções que estamos, aguardando a tempestade passar. Tempestade de afetos, de comportamento, de entendimento nas relações
Continuemos neste reinicio, nesta transformação
E continuemos plantando nossos jardins
Que sigamos nos encontrando mais do que nos perdendo.
Amo voces
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário