quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Um desabafo
Hoje o post é meio desabafo..
Diariamente me percebo rodeada de questões conflituosas, demandas que fragmentam, dilaceram a vida do outro e deste meu lugar de liderar um equipe composta por três serviços tão complexos (serviços de saude mental/SUS),e deste lugar minha maior atribuição é pensar em estrategias e politicas que garantam cuidado e qualidade de vida a estas pessoas alem de inserção social e resgate de vínculos (não é tao fácil fazer como definir este lugar rs)...
Atualmente o que me traz inquietude são as questões da adolescência. Porque todo mundo acha que tem a melhor resposta sobre como lidar com os adolescentes? porque rotineiramente me deparo com soluções de extrema violência (é bom lembrar que falo aqui da minha percepção), algumas vezes humilhação e quase que unanimemente de total desconsideração pelo conteúdo/sentimento/saber que cada adolescente traz, pelo que ele pensa ou sente?
Porque a solução pra quem usa droga é sempre algo que o restrinja, que puna, que segregue? será que ate quando nós pais, quando nos deparamos com o uso de drogas não conseguiremos alcançar o significado disso, das dependências, dos excessos? sera que todos nós não somos dependentes de NADA? Será que todo uso de drogas (falo de todas elas) esta relacionado a dependência?
Não estou aqui para fazer apologia ao uso ou descriminá-lo. O que gostaria de falar são dos nossos filhos, são dos adolescente com que convivemos. Quero falar sobre as pessoas e não tipificá-las com seus sintomas, quero falar de nossas relações e não da receita que alguém tenha para que tenhamos relações, ou a solução para lidar com a dor, o desamparo o desafeto do outro. As pessoas precisam se recordar que afeto é poderoso, um dos melhores remédios. Mas ele não vem em capsulas, ele é construído. E afeto não tem nada haver com ser permissivo, dar o mundo, punir de forma equivocada entre tantas outras coisas que justificamos pelo amor. Essa coisa de afeto até merece um post só para ele.
Faço parte de um grupo de mães de adolescentes em uma rede social, e hoje pela amanha li uma postagem de uma mãe muito angustiada em virtude do comportamento de sua filha. Lá eu percebia uma mãe pedindo socorro e que disse muito sobre o comportamento que sua filha vem apresentando, e que de fato colocaria qualquer mãe de "cabelo em pé". Mas pouco disse da relação, do laço entre mãe e filha, do afeto. E na verdade ela não tem mesmo que dizer, talvez ela só precise vivenciar a relação de mãe e filha. Quem disse que 'adolescer" é fácil? muito pelo contrario, tenho percebido que talvez seja esta a única fase do desenvolvimento humano em que realmente AMADURECEMOS (li isso em algum lugar também, mas não consigo lembrar onde), o que somos depois da adolescência é apenas produto do que amadurecemos no adoleSER, o que adquirimos dai pra frente prefiro chamar de "agregadores para sabedoria".
Ainda sobre o referido post, curiosa fui lendo os comentários e fui observando que muitas das mães que tentavam ajudar aquela que falava de sua filha, estavam convictas de que a solução viria pelo autoritarismo, algumas formas de violência e coerção (não se esqueçam que falo da minha percepção gente), invasão da privacidade entre inúmeras outras sugestões e ali, num post de uma rede social observei a reafirmação de uma máxima: o quanto é difícil conversarmos(principalmente com quem amamos), o quanto é difícil nos colocarmos no lugar de nossos filhos. Será que de fato somos tão incríveis e tão cheias de respostas? Quando se assume a criação de filhos sozinha isso se complica muito, porque nos enchemos de duvidas, culpa, responsabilidade, medo e muitas vezes não deixamos que nossos filhos nos perceba como SER HUMANO que somos.
Penso eu que o principio de todas, TODAS as relações é o respeito ( do dicionario: respeito res.pei.to sm (lat respectu) 1 Ação ou efeito de respeitar ou respeitar-se. 2 Aspecto ou lado por onde se encara uma questão; consideração, modo de ver, motivo, razão. 3 Apreço, atenção, consideração. ) que se difere muito de receio (medo do que os outros podem pensar de nós, ou fazer conosco). Para mim a descrição sobre respeito que trata o dicionario é muito restrita, afinal ao fazer uma busca de seu significado no Google sempre teremos perambulando em sua descrição as palavras medo, submissão, entre outras. e particularmente para mim respeito não se relaciona a tais termos. Considero que o respeito, este das relações e principalmente das relações familiares precisa tangenciar o campo da empatia. Será que ao falar com meu filho, falo com ele da mesma forma que gostaria que ele conversasse comigo? Quando meu filho passa dos limites, ou faz algo que considero errado, sentamos conversamos e alinhamos os prós e contras destas situações ou será que imponho o que acho melhor e o que é certo (pelo menos o que é certo pra mim)? Precisamos nos posicionar de outras formas, precisamos de nos ver no outro, precisamos de entender que não somos donos de nada, nem do nosso nariz (rs). Somos sim produto do que vivenciamos diariamente. Logo se desejamos que nossos filhos se tornem adultos felizes, saudáveis e cordiais (gentis) é responsabilidade nossa nos despirmos de tantas armaduras e crescer com eles de forma empática possível...
Se ha algo que aprendi nessa minha tragetória de 13 anos de maternidade é que de fato não há manual sobre como criar filhos e se relacionar com eles, mas ha grandes mestres que nos ensinam diariamente a melhor forma de ser mãe, e os instrumentos que precisamos para compreender nossos mestres são sensibilidade, afeto e empatia..
Quem são os mestres? nossos próprios filhos :). Acredite, as respostas não estão na opnião dos outros , esta dentro de nossas próprias casas.
Uma mãe em construção..
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